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Seleção, organização e comentários de Mauro Rosso
Contos de Machado de Assis: relicários e raisonnés
A editora PUC-Rio e Edições Loyola têm no prelo, sob a organização autoral de Mauro Rosso, a obra Contos de Machado de Assis: relicários e raisonnés — uma edição que se pretende histórica, pois crivada de elementos inéditos, presentes nos dois blocos que a compõem. O primeiro traz — verdadeiro relicário machadiano — o absolutamente inédito conto "Um para o outro", até então desconhecido, somente publicado em 1879 e dado como perdido, um texto cheio de nuances temáticas e tramáticas, importantíssimo para o estudo de uma, digamos, "ideologia" machadiana; o conto "Uma partida", de 1892, nunca publicado na íntegra, até então conhecido apenas em parte,com a peculiaridade de se narrar qual um "estudo balzaqueano" dos sentimentos humanos, compondo — com aquele inédito — uma espécie de "crônica dos amores contrariados", ambos sob a tese machadiana do conformismo dos afetos não-realizados; o conto "Três tesouros perdidos", quea par de suas particularidades intrínsecas, possui a condição historiográfica de ser a primeira narrativa curta escrita por Machado, há exatos 150 anos; emais oconto "Bagatela", também de publicação restrita, sobre o qual ainda persiste a dúvida, propícia a exercícios de reflexão e especulação bibliográficas, quanto a tratar-se de uma tradução ou criação original — em ambas as hipóteses, abrigando elementos importantes para o estudo da evolução ficcional de Machado de Assis. O segundo bloco oferece o histórico bibliográfico-editorial completo de toda a produção contística machadiana (passível de vir a moldar, de resto, um modelo genérico de historiografia bibliográfico-literária), desenhado em matrizes especialmente — e nunca antes — construídas, qual verdadeiros raisonnés, organizadas sob distintos vieses, que se cruzam e se reportam umas às outras, remissivas entre si,aretratarem, para cada um dos contos,suas respectivas seqüências de publicação e, concomitantemente, aspectos problemáticos inerentes a edições levadas a efeito, ou não realizadas como o deveriam ser. Acresce-se aos conjuntos matriciais um também inédito raisonné completo — porquanto até então não objeto de levantamento e catalogação integral, como feito para esta edição — dos pseudônimos, anônimos e criptônimos fartamente utilizados porMachado de Assis. Dois blocos que, interligados e intertextualizados, têm oobjetivo maior de expor elementos para novos e profícuos estudos sobre a evolução literária machadiana e seu desenvolvimento como criador de narrativas curtas ao longo de quase cinco décadas, e ao mesmo tempo mostrar o quanto textos importantes de sua safracontística — o mesmo se aplicando às crônicas — não são suficientemente revelados, conhecidos e estudados e realçar o muitoainda a se realizar.
Professor e pesquisador de literatura brasileira, ensaísta, escritor, idealizador e organizador de coleções bibliográficas de literatura brasileira, autor de Uma proposta para a prática pedagógica (2002); São Paulo, a cidade literária (2004); Cinco minutos e A Viuvinha, de José de Alencar: edição comentada (2005), Mauro Rosso, com todas as probabilidades, é um dos autores mais profícuos, individualmente, de produção textual referente a Machado de Assis: conclui a preparação, para o Senado Federal (Conselho Editorial da Casa), da antologia Machado de Assis e a política: crônicas, com 381 textos machadianos, e da coletânea A ficção política de Machado de Assis, com 26 contos, 8 poemas e 3 peças teatrais, ambas as obras a desmistificarem a equivocadissima pecha de "alheio a questões de seu tempo" atribuída a Machado, que escreveu muito sobre a política da época, inclusive, com comentários e ilações absolutamente atuais, ou aplicáveis à atualidade brasileira — o mesmo se dando na seara da economia, em que Machado também "transitou", cujas crônicas foram levantadas e recolhidas em extensa pesquisae organizadas, juntamente com Gustavo Franco, na edição, lançada em dezembro 2007, de Machado de Assis e a economia: o olhar oblíquo do acionista. Prepara a edição especial de Gazeta de Holanda: os "versiprosa" de Machado deAssis (48 crônicas em forma de verso, nunca editadas em volume isolado, e emblemáticas da fase menipéica-lucânica de Machado, característica de seu processo de evolução e inflexão consubstanciado na década de 1880). Tem pronta a edição de Queda que as mulheres têm para os tolos: Machado de Assis, o subterfúgio, o feminino, a transcendência literária (o primeiro livro de Machado, publicado em 1861, pleno de elementos significativos e anunciadores, prenunciadores e antecipadores do ficcionista que viria depois). Além disso, Rosso é — desde 2007 e neste 2008 — palestrante "intensivo" sobre Machado de Assis, abordando temas como "Machado de Assis, o subterfúgio, o feminino, a transcendência literária", "O conto machadiano"; "Machado de Assis cronista, o grande relator da vida brasileira"; "Interseções da ficção e da não-ficção em Machado de Assis", "A evolução literária machadiana e o processo de inflexão", "Narradores e narratários machadianos e os novos leitor-modelo e leitor-empírico criados"; "Machado de Assis cronista, o grande relator da vida brasileira";"Machado de Assis e seu tempo: a História, a política, a economia, as questões sociais", "A atualidade de Machado de Assis", "Machado de Assis em chaves temáticas". É colaborador de revistas acadêmicas e sites de literatura, com ensaios, artigos e textos como "Apontamentos para um estudo de Casa velha", "Em tempo de eleições, é bom ler Machado", "Quem tem medo do 'feminismo' de Machado de Assis?", "Machado, eterno enigma", "As mulheres preferem os tolos?", "Machado de Assis cronista: o grande relator da vida brasileira", "Machado de Assis e a política: nada oblíquo, nada dissimulado", "Os narradores, os narratórios e os novos leitores criados por Machado", "O conto em Machado de Assis".
Casa Jornal do Brasil - A sua casa de cultura na Flip
Durante a VI edição Literária Internacional de Paraty (Flip), de 2 a 6 de julho, o Jornal do Brasil oferece ao público uma casa de cultura no coração da cidade histórica do Sul Fluminense — a Casa Jornal do Brasil. O espaço, uma casa centenária onde funciona regularmente um ateliê de artes plásticas, na esquina da Rua da Matriz, será um aperitivo para a programação oficial da festa. Um charmoso ponto de encontro para quem vai cumprir o circuito de palestras, mesas de debates e saraus.
A casa terá bate-papos com escritores presentes na FLIP; o Espaço Senac, com exposição dos livros; e duas exibições permanentes: a exposição 50 anos de Bossa Nova, com fotos exclusivas do arquivo fotográfico do Jornal do Brasil e da coleção particular Antonio Nery, um dos principais fotógrafos a registrar a época. Em fotografias e textos, a história do gênero musical que representa o Brasil em todo o mundo.
E a mostra O Rio de Machado de Assis, que vai expor matérias de destaque publicadas sobre o bruxo do Cosme Velho ao longo dos 117 anos do jornal. São críticas literárias, suplementos especiais, homenagens. E uma surpresa: será exibido um filme curta-metragem, realizado pelo cineasta e imortal Nelson Pereira dos Santos, em 1974, a pedido do JB. No filme, Nelson percorre o Rio contado por Machado em toda sua obra. A Casa Jornal do Brasil lembra o centenário de morte do maior dos autores brasileiros, neste que já é o mais interessante evento literário do país.
PROGRAMAÇÃO
QUINTA-FEIRA 16h: Martín Kohan – Companhia das Letras 18h: João Gilberto Noll – Record
SEXTA-FEIRA 16h: Ana Maria Bahiana – Senac Rio 18h: Luiz Antonio Aguiar – Record
SÁBADO 16h: José Luís Peixoto – Record 18h: Flávia Quaresma – Senac Rio
DOMINGO 16h: Richard Price – Companhia das Letras (horário a confirmar)
Obs.: Há possibilidade de inclusão da historiadora Elizabeth Roudinesco, da Jorge Zahar Editor.
A coleção de poesia Caixa Preta, organizada por Claudio Daniel para a Lumme Editor, tem três novos títulos publicados: Pincel de Kyoto, de Wilson Bueno, Mergulho às avessas, de Andréa Catrópa, e Poemas diversos, de Elson Fróes. O lançamento dos livros será no dia 24 de junho, a partir das 19 horas, na Casa das Rosas, localizada na Avenida Paulista, n. 37, em São Paulo. Na ocasião, acontecerá também o Recital da Caixa Preta, com a presença dos autores e da poeta Virna Teixeira, que lançará em breve o livro Trânsitos, pela mesma coleção. A proposta da série, iniciada com dois livros de Horácio Costa, publicados em 2007 — Paulistanas e Homoeróticas — é apresentar ao leitor textos inventivos, inquietos, de autores que "realizam uma pesquisa poética imaginativa e com artesanato de linguagem", segundo o texto de frontispício dos livros. Os livros da Lumme Editor podem ser adquiridos em livrarias ou ainda pelo e-mail vendas@lummeeditor.com
Seu destino era o casebre no alto da colina azul, que todos conheciam por rosa, e descobrir o segredo que a velha guardava em um pote, que todos pensavam ser uma enorme laranja. Saiu com essa missão gravada no fundo do peito, patuá no pescoço, pé de coelho no bolso, uma figa nos tornozelos...
A 16a edição da revista de literatura e artes traz ensaio fotográfico de Boris Kossoy, traduções de Alejandra Pizarnik (Argentina) e Robert Melançon (Canadá), dossiê com o cartunista Marcatti, antologia de poemas de Marcos Prado, contos de Nelson de Oliveira e Miguel Sanches Neto, além de poemas de Nelson Sato
A revista independente Coyote, editada em Londrina (PR) e patrocinada pelo PROMIC (Programa Municipal de Incentivo à Cultura) traz em seu 16º número um dossiê com o quadrinista paulistano Marcatti (autor de gibis como Lodo, Mijo, Refugo, Prega, Ventosa e Frauzio). Em entrevista a Ademir Assunção, ele revisita sua carreira, fala sobre seu processo criativo, de escatologia, e da parceria com Glauco Mattoso em Glaucomix.
Coyote traz textos de uma das mais importantes poetas latino-americanas do século 20, a argentina Alejandra Pizarnik (1936-1972), traduzidas por Ana Maria Ramiro, e do poeta contemporâneo canadense Robert Melançon (introduzido e traduzido pela professora Jerus Pires Ferreira).
O número presta homenagem à obra poética de Marcos Prado (1961-1996), com uma mini-antologia de sua obra em apresentação de Thadeu Wojciechowski, que escreve: "Prado é destes poetas que tiveram a coragem (ou imprudência?) de impregnar a chama eterna da poesia que tanto amava com os fragmentos descartáveis da vida".
A edição também traz capa e um ensaio assinados pelo fotógrafo e historiador de fotografia Boris Kossoy, com suas cenas insólitas e enigmáticas. Como escreveu Vasco Granja, "Kossoy é um observador atento da realidade — que transforma, segundo a ação de René Magritte, o mestre que o inspirou indelevelmente, em imagens trágicas dominadas pelo terror das condições mais degradantes que o homem impõe a si e aos outros".
Presentes nesta edição estão também poemas de Adalberto Müller e Nelson Sato, além de prosas inéditas de Nelson de Oliveira e Miguel Sanches Neto. E, como se tornou recorrente nas edições da revista, a contracapa traz o cartum irreverente de Beto, com o Movimento Contra o Loteamento do Céu.
COYOTE é uma publicação da Coyote Edições, editada por Ademir Assunção, Marcos Losnak, Maurício Arruda Mendonça e Rodrigo Garcia Lopes. Projeto gráfico de Marcos Losnak. Tem periodicidade trimestral e distribuição nacional (em livrarias) pela Editora Iluminuras. Tiragem de 1 mil exemplares.
COYOTE 16 // 52 pgs. // R$ 10 Uma publicação da Coyote Edições Vendas em livrarias de todo o país ou pelo site: www.iluminuras.com.br email: revistacoyote@uol.com.br | rgarcialopes@gmail.com | Fone: (43) 3334-3299 – Londrina PATROCÍNIO: PROMIC - PROGRAMA MUNICIPAL DE INCENTIVO À CULTURA – SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA – PREFEITURA MUNICIPAL DE LONDRINA (PR)
Coyote espreita Codrescu, Bolaño & Cia. em novo número
Entre os destaques da revista de literatura e artes estão dossiê com o escritor, poeta e ensaísta Andrei Codrescu (Romênia, 1946), poemas do chileno Roberto Bolaño, mais conhecido como prosador, a poesia de Fernando Karl e Veludo negro, uma mini-antologia com seis jovens poetas brasileiras. Também traz o desenho de Carlos Carah, traduções de Gertrude Stein e as prosas à margem de Carlos Carlaccio e Rubens K, entre outros
"A ironia me parece um poderoso artefato para desativar a realidade. Agora vejamos, o que acontece quando vemos algo que tínhamos visto, por exemplo, numa fotografia e de repente vemos de verdade? É possível ironizar sobre a realidade, não crer nela, quando estamos vendo algo que é verdade?". É sob o espírito desta citação de Enrique Vila-Matas, editorial do número 17, que Coyote, revista de literatura e arte editada em Londrina (PR), chega a seu décimo-sétimo número, depois de ter publicado quase duzentos autores (escritores, fotógrafos, ensaístas, tradutores do Brasil e de diversas partes do mundo). Em seus cinco anos de atividade, completados com o número 15, Coyote prossegue abrindo espaço para novos autores, além de resgatar e apresentar nomes importantes das letras e das artes, de épocas e lugares diferentes, incitando à reflexão e à criação literária. A revista é patrocinada pelo PROMIC (Programa Municipal de Incentivo à Cultura) da cidade de Londrina.
Um dos destaques do número é o dossiê "Caçador de Diferenças", com o escritor Andrei Codrescu (Romênia, 1946), inédito no Brasil, em entrevista feita a Rodrigo Garcia Lopes, além da tradução de quatro capítulos de seu livro (prosa) Zoombification, traduzidos por Kátia Hanna. Como escreveu Lawrence Ferlinghetti, "Codrescu sempre dá um jeito de criar um desejo ardente pelo que é subversivo — algo extremamente necessário nesses tempos de 'fascismo amistoso'".
Coyote 17 também apresenta os poemas do escritor chileno Roberto Bolaño (1953-2003), mais conhecido como prosador. Sua carreira meteórica foi marcada pela fundação do movimento mexicano infrarrealista nos anos 70. Apesar de mais conhecido como romancista (Os Detetives Selvagens, 2666, De Noite no Chile, entre outros), Bolaño era uma espécie de poeta da prosa, tendo publicado dois volumes de poesia: Los Perros Románticos e La Universidad Desconocida.
A nova ficção brasileira também está presente no número com os textos de Rubens K. e Ricardo Carlaccio.
A modernista norte-americana Gertrude Stein (1874-1946) traduzida e apresentada por Luci Collin, é também um dos carros-chefes do número, que traz ainda a antologia Veludo Negro: uma seção que mostra a força poética de seis jovens autoras brasileiras: Ana Rüsche, Bruna Beber, Izabela Leal, Lígia Dabul, Luana Vignon e Monica Berger.
O desenhista Carlos Carah também mostra seus traços, num número que tem ainda poesia visual de Vinícius Lima e poemas de Fernando Karl. Na Contracapa, o Movimento Contra a Lei Seca.
COYOTE é uma publicação da Coyote Edições, editada por Ademir Assunção, Marcos Losnak, Maurício Arruda Mendonça e Rodrigo Garcia Lopes. Projeto gráfico de Marcos Losnak. Tem periodicidade trimestral e distribuição nacional (em livrarias) pela Editora Iluminuras. Tiragem de 1 mil exemplares.